A Dança Sagrada nasceu da necessidade humana de identificar-se com a eterna roda das forças criativas do cosmos. Nenhuma iniciação antiga era feita sem dança. Dançar representava o modo mais natural do homem harmonizar-se com os poderes cósmicos. O homem antigo, integrado à natureza, dançava em círculos, os ritmos cíclicos da vida: o nascimento, a puberdade, o casamento, a morte, as mudanças de estações, o plantio, a colheita, o sol e a chuva. Desse modo celebravam, como ato sagrado, qualquer evento considerado essencial a vida.

 

Ao longo da história, esses ciclos naturais foram substituídos por ritmos artificiais, e com isso, o homem perdeu o contato com a natureza e os momentos de união com as forças mais sutis, com o transcendental. Hoje, buscando ancorar uma nova consciência, esses valores perdidos estão sendo recriados, ajudando o homem contemporâneo a reconectar-se com os ciclos da natureza e com a essência da vida.

 

As Danças Circulares tiveram sua origem na década de 60, através do trabalho realizado pelo bailarino e coreógrafo Bernhard Wosien que, a partir de sua pesquisa sobre o folclore de vários países, reuniu um repertório rico em significado, memória, movimento e musicalidade. Para Wosien, dançar em grupo "é uma oportunidade para que as pessoas eduquem umas as outras e a si mesmas". No início da década de 90 as Danças Circulares chegaram ao Brasil e se difundiram em parques, escolas, universidades, ONG´s, instituições e empresas de diversos setores.

 

Realizadas em círculo e de mãos dadas, as danças propiciam ao indivíduo uma experiência de aprendizado favorecendo a integração, a comunicação, a flexibilidade, a percepção de si mesmo e do outro. O contato com outras culturas e suas expressões na roda de dança gera para o grupo um desafio, que passo a passo é superado e ao findar da música resta o aplauso coletivo em comemoração a conquista de todos.

 

O repertório de danças circulares engloba as danças étnicas, que remontam a cultura de um determinado povo, simbolizando sua expressão musical, corporal e espiritual; as danças folclóricas dos povos, dançadas na maioria das vezes com passos originais, isto é, aqueles que foram e continuam sendo usados pelo povo da região em que surgiram, e as músicas coreografadas recentemente, conhecidas como contemporâneas. As coreografias são em sua maioria simples e de fácil aprendizado, não havendo necessidade de experiência anterior para participar destes círculos. Basta conectar-se com a leveza, alegria, beleza e plenitude que elas nos trazem. É uma meditação em movimento. Através dos passos repetidos cada pessoa acessa um estado meditativo, onde não se pensa em nada: a mente fica vazia. E é no vazio que se tem a grande oportunidade de criar.

 

Ao dançarmos criamos um círculo de cura, de amor, de transformação! Um círculo de alegria sentida e dançada no êxtase da união. Dançar e cantar em círculo são uma das mais belas e sagradas experiências que a humanidade já experimentou ao longo de toda a sua existência. O círculo possui um mistério que não pode ser explicado, nem acessado intelectualmente, pois através dele podemos vivenciar e resgatar muito mais do que costumes e tradições culturais, resgatamos, sobretudo, os arquétipos e a memória de nossos antepassados e de toda a criação.

 

No círculo trabalhamos o equilíbrio entre o indivíduo e o coletivo, a concentração, a segurança, a leveza, a amizade, o equilíbrio entre corpo, mente, espírito e coração! Percebemos que não estamos sós, que estamos amparados por todos os lados e reconhecemos nossa igualdade divina - o centro - ao mesmo tempo em que nos emocionamos com a presença única e insubstituível de cada participante do circulo. Enquanto dançamos, de mãos dadas, nos olhamos nos olhos, tocamos um no coração do outro. A cada passo uma nova alma encontramos em nosso caminho, deixando um pouco de nós e levando um pouco do outro, em uma constante troca.

 

Dançando juntos, de mãos dadas, curamos o nosso Ser e o nosso Planeta. Despertamos valores humanos, incentivamos o espírito de cooperação e promovemos um diálogo amoroso entre as pessoas. O círculo é uma forma de circunferência ininterrupta e é um símbolo de totalidade, um lugar igualitário de aprendizagem. Quando um círculo está centrado, ele forma uma roda ou mandala invisível, podendo causar a mudança e evolução do indivíduo, recuperando as antigas tradições nas quais os sacerdotes e curandeiros utilizavam danças relacionadas a sons específicos para "tocar a alma" de seus fiéis, para celebrar os ciclos da Natureza e os Ritos de Passagem.